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Caro Professor do Ensino Superior

Estou escrevendo essa carta porque estou no meu limite.

Estou gastando meu tempo, papel e caneta pra descarregar esse sentimento de sufoco que anda rondando a minha garganta. Atualmente me sinto nada mais do que um mero compromisso das 9 horas e 42 minutos até às 12 horas do seu trabalho. Me sinto o meio para você ter o seu boleto pago e não sua aluna.

Claro que deve ser chato ter alguém que simplesmente não colabora, não engole e cala a boca por que é um saco ter alguém que tá te dizendo que não tá bom.

Eu posso sim dizer que sinto como se estivesse sendo abusada por que eu sei como é. O abuso é quando eu tenho que aceitar por que você é alguém e eu não sou. O abuso é quando meu sofrimento não existe por que meu colega não sofre pelo mesmo.

Minha vontade de gritar é meu cabelo caindo. Meu choro reprimido é a comida que entra de maneira compulsiva na minha boca. Minha solidão é minha fatura repleta de objetos que eu jurei que iriam me fazer feliz depois que eu saísse da loja. Minha tristeza é o que eu posto nas redes sociais motivando e empoderando os outros enquanto me sinto vazia e triste.

Eu nunca pensei que pudesse me sentir tão dormente e cansada como agora. Fruto de um abuso aos doze anos. custei outros doze para me sentir relativamente dentro da normalidade, e agora, com um ano de normalidade, sinto o frio na barriga de voltar ao abismo em que vivi por muito tempo.

"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você" disse Friedrich Nietzsche.

Tenho um sufoco preso na minha garganta, já nem sei mais se ele quem prende ela ou se é por seu tamanho que fica trancado. Fico pensando se esse não é meu abismo. Por anos eu não falei sobre meus traumas, meus medos e mágoas e sabia que isso me sufocava, mas agora eu falo, escrevo, grito e é pior. Por que é ignorado.

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